Bipolaridade

Transtorno Bipolar e Sexualidade: Desejo e Sofrimento Após o Diagnóstico

Um estudo dinamarquês investigou a relação entre sintomas do transtorno bipolar e a sexualidade em 236 pessoas recém-diagnosticadas. Os resultados mostraram que a depressão reduz o desejo sexual e aumenta o sofrimento sexual, enquanto a mania o eleva, e a instabilidade do humor intensifica o sofrimento, exigindo uma abordagem clínica mais atenta.

Ilustração de oscilações de humor e desejo sexual no transtorno bipolar
Capa do artigo

O impacto dos sintomas afetivos e da instabilidade do humor no desejo sexual e no sofrimento sexual no transtorno bipolar recém-diagnosticado foi investigado por um estudo longitudinal dinamarquês publicado no Journal of Psychiatric Research em 2026. A pesquisa, conduzida por Krogh e colaboradores, acompanhou 236 pessoas entre 18 e 68 anos com transtorno bipolar recém-diagnosticado por seis meses, medindo sintomas depressivos, maníacos e instabilidade do humor ao lado de desejo sexual e sofrimento sexual. Os achados não apenas confirmam que o humor e a vida sexual andam juntos, mas mostram que o sofrimento sexual pode persistir mesmo quando o episódio agudo não está no centro do quadro. Essa distinção muda a conversa clínica: não se trata apenas de perguntar se a libido caiu ou aumentou, mas de reconhecer o custo emocional dessas oscilações.

O desenho longitudinal e por que ele importa

A maior parte do que se sabia sobre transtorno bipolar e sexualidade vinha de estudos transversais, que fotografam um único momento e não conseguem distinguir o que é flutuação passageira do que é padrão estável. O estudo de Krogh e equipe se apresenta como pioneiro justamente por acompanhar as mesmas pessoas ao longo do tempo, com instrumentos distintos e complementares. A amostra foi composta por 236 indivíduos recém-diagnosticados, na faixa de 18 a 68 anos, recrutados na Sexology Clinic do Copenhagen University Hospital, Bispebjerg and Frederiksberg, e no Copenhagen Affective Disorder Research Centre, ligado à Universidade de Copenhague. O recorte de recém-diagnóstico é relevante porque captura pessoas em uma fase de reorganização do tratamento, muitas vezes ainda sem estabilização medicamentosa plena e com história recente de episódios afetivos.

Banner para agendar consulta online ou presencial com o psicoterapeuta Álvaro Biano pelo WhatsApp

Os sintomas afetivos foram avaliados por escalas clássicas: a Hamilton Depression Rating Scale de 17 itens, para depressão, e a Young Mania Rating Scale, para mania. A instabilidade do humor foi registrada por avaliações diárias feitas pelos participantes em seus telefones celulares, o que adiciona uma dimensão ecológica e menos dependente da memória retrospectiva. Para os desfechos sexuais, os pesquisadores usaram o Changes in Sexual Functioning Questionnaire, que mede desejo e outras funções sexuais, e a Sexual Distress Scale, que captura sofrimento associado à sexualidade. A análise por modelos lineares mistos permitiu separar efeitos intraindividuais, ou seja, como a mesma pessoa varia ao longo do tempo, de diferenças entre pessoas, um ponto metodológico que evita confundir fatores estáveis com mudanças dinâmicas.

“O estudo se destaca por ser, segundo os próprios autores, o primeiro a usar desenho longitudinal para examinar desejo sexual e sofrimento sexual em transtorno bipolar recém-diagnosticado, com avaliações repetidas de humor e sexualidade.”

Depressão e desejo: o peso dos sintomas afetivos sobre a libido

O achado mais consistente do estudo envolve a depressão. Quando os escores da HDRS-17 aumentaram, o desejo sexual diminuiu de forma estatisticamente significativa, com beta de -0,06, intervalo de confiança de 95% entre -0,10 e -0,02 e p igual a 0,004. Traduzindo: conforme os sintomas depressivos ganhavam intensidade, a libido tendia a se contrair. Esse dado não surpreende quem acompanha a clínica do transtorno bipolar, mas ganha força por ter sido observado dentro das mesmas pessoas ao longo do tempo. Não é apenas que pessoas deprimidas relatam menos desejo em comparação com pessoas sem depressão; é que, na mesma pessoa, os períodos mais depressivos coincidem com os períodos de menor desejo sexual.

A depressão arrasta consigo anedonia, fadiga, redução da motivação e uma autopercepção corporal mais negativa. Tudo isso compõe um pano de fundo que esvazia o interesse sexual. O estudo não investigou diretamente os mecanismos neuroquímicos, mas a literatura discute hipóteses plausíveis, como a participação da serotonina e da dopamina em circuitos de recompensa e motivação. Mais importante do que o mecanismo isolado é a implicação prática: quando o desejo some em uma fase depressiva, ele pode ser tanto expressão do episódio quanto efeito de medicamentos, e separar essas causas exige escuta cuidadosa. A simples rotulação de “baixa libido” sem contexto afetivo perde metade da história.

Transtorno Bipolar e Sexualidade: Desejo e Sofrimento Após o Diagnóstico

Mania e desejo: o aumento que nem sempre é simples de interpretar

No polo oposto, a elevação dos sintomas maníacos, medida pela YMRS, associou-se a um aumento significativo do desejo sexual, com beta de 0,07 e p igual a 0,011. Os autores reportaram o intervalo de confiança, mas o ponto central é a direção: quanto mais maníaca a pessoa estava, maior o desejo relatado. Esse resultado é clinicamente relevante porque o aumento da libido em fases maníacas ou hipomaníacas pode ser vivenciado como energia, atração intensificada e busca por prazer, mas também pode gerar consequências relacionais e exposição a situações de risco. O desejo em alta não é automaticamente um problema; o que pesa é o contexto, a impulsividade e a dificuldade de avaliar consequências.

A literatura sobre transtorno bipolar frequentemente associa a mania a comportamentos sexuais de risco e a uma hipervalorização da experiência erótica. O estudo dinamarquês não mensurou comportamentos de risco, mas o achado de que o desejo sobe junto com a mania reforça a necessidade de perguntar sobre sexualidade quando o humor acelera. Um paciente em fase hipomaníaca pode não queixar-se de nada, porque o aumento da libido costuma ser percebido como bem-estar. A conversa clínica precisa ir além da pergunta genérica “como está seu desejo sexual?” e explorar como essa oscilação afeta vínculos, decisões e a própria sensação de controle.

Sofrimento sexual: mais que falta ou excesso de desejo

O sofrimento sexual, medido pela Sexual Distress Scale, revelou-se uma dimensão própria, não redutível ao desejo. Os sintomas depressivos mostraram associação forte e significativa com maior sofrimento sexual: beta de 0,31, intervalo de confiança de 95% entre 0,22 e 0,40 e p menor que 0,001. Esse é um dado que merece destaque. Uma pessoa pode ter desejo sexual preservado ou até aumentado e, ainda assim, experimentar sofrimento sexual, seja por culpa, vergonha, conflitos com parcerias, disfunção sexual ou falta de sintonia entre expectativa e realidade. A depressão amplifica esse sofrimento porque tende a reduzir a autocompaixão e a aumentar ruminações.

A distinção entre desejo e sofrimento é clinicamente poderosa. Muitas avaliações de sexualidade focam apenas na função, como se a presença de ereção ou a frequência de relações resumisse a saúde sexual. O estudo usa instrumentos separados justamente para captar o mal-estar associado. Isso significa que um paciente pode relatar libido baixa, mas o alvo do cuidado talvez precise ser o sofrimento ligado a essa baixa libido, e não apenas a busca por um estimulante. Da mesma forma, alguém com desejo elevado na mania pode não sofrer por isso, enquanto outra pessoa com o mesmo padrão pode vivenciar culpa intensa.

“O sofrimento sexual é o que transforma uma variação fisiológica em demanda clínica: ele não se reduz à presença ou ausência de função sexual.”

Instabilidade do humor como fator independente

O achado talvez mais inovador do estudo é a associação entre instabilidade do humor e sofrimento sexual. A instabilidade do humor, medida por avaliações diárias, apresentou associação significativa com maior sofrimento sexual: beta de 1,87, intervalo de confiança de 95% entre -0,30 e 3,44 e p igual a 0,020. O intervalo de confiança é amplo, o que reflete a variabilidade das medições diárias, mas a significância estatística indica que a flutuação rápida do humor, independentemente dos escores de depressão ou mania, contribui para o mal-estar sexual. Em outras palavras, não é apenas estar deprimido ou maníaco; é a imprevisibilidade afetiva que corrói a experiência sexual.

Uma pessoa com transtorno bipolar pode passar dias com humor estável e, de repente, acordar irritada, desanimada ou acelerada. Essa alternância afeta a vida íntima porque a sexualidade depende de previsibilidade emocional, segurança e capacidade de se entregar ao momento. Quando o humor muda sem aviso, a pessoa pode antecipar fracassos, evitar intimidade ou viver a sexualidade como mais uma área de instabilidade. O estudo sugere que o sofrimento sexual associado à instabilidade do humor pode ocorrer mesmo na ausência de um episódio completo, o que reforça a ideia de que a sexualidade precisa ser abordada também nos períodos entre crises.

“Não é apenas estar deprimido ou maníaco; é a imprevisibilidade afetiva que corrói a experiência sexual.”

Variabilidade entre pessoas: o que os 63-67% revelam

Os modelos lineares mistos permitiram calcular coeficientes de correlação intraclasse. Entre 63% e 67% da variância no desejo sexual e no sofrimento sexual foi devida a diferenças interindividuais, ou seja, a características relativamente estáveis de cada pessoa, enquanto o restante flutuou ao longo do tempo dentro dos mesmos indivíduos. Esse dado tem duas leituras complementares. A primeira é que a sexualidade no transtorno bipolar não é uniforme: existem diferenças importantes entre as pessoas, ligadas a história afetiva, personalidade, funcionamento corporal, medicações, vínculos e significados atribuídos ao sexo. A segunda é que uma parcela relevante da variância é intraindividual, o que quer dizer que o mesmo indivíduo muda consideravelmente de um momento para outro.

Esse equilíbrio entre estabilidade e mudança tem implicações diretas para o acompanhamento. Não faz sentido comparar a vida sexual de dois pacientes bipolares como se o diagnóstico produzisse um único padrão. Ao mesmo tempo, não se pode supor que a sexualidade de uma pessoa seja fixa, porque os sintomas afetivos e a instabilidade do humor empurram o desejo e o sofrimento em direções diferentes. A conclusão prática dos autores caminha nesse sentido: abordar a sexualidade tanto durante quanto entre episódios, sem esperar que o paciente traga espontaneamente o tema.

Transtorno Bipolar e Sexualidade: Desejo e Sofrimento Após o Diagnóstico

Implicações para a clínica e para as conversas difíceis

O estudo aponta para uma ampliação do olhar clínico. Em primeiro lugar, não basta monitorar humor; é preciso incluir perguntas diretas sobre desejo sexual e sofrimento sexual nas consultas de rotina, especialmente em transtorno bipolar recém-diagnosticado. Em segundo lugar, a avaliação precisa separar desejo de sofrimento, porque cada um tem correlatos afetivos distintos. A depressão reduz o desejo e aumenta o sofrimento; a mania aumenta o desejo; a instabilidade do humor aumenta o sofrimento. Terceiro, a variabilidade interindividual indica que as intervenções devem ser personalizadas, considerando a história de cada pessoa.

De forma prática, a avaliação clínica pode incluir os seguintes pontos:

  • Separar desejo de sofrimento sexual na anamnese;
  • Perguntar sobre sexualidade em todas as fases do humor, inclusive nos períodos entre episódios;
  • Considerar a instabilidade do humor como fonte independente de sofrimento;
  • Personalizar a intervenção conforme a história afetiva e relacional.

Na minha prática com a Análise Psicossomática Clínica (APC), quando recebo relatos de desejo que desaparece na fase depressiva ou de sofrimento que permanece mesmo com humor estável, procuro mapear o contexto afetivo do sintoma, não apenas o sintoma isolado. O Método TEN, que desenvolvi com Maryanne Braga, organiza essa escuta a partir das emoções ligadas a culpa, vergonha, medo de rejeição e história de instabilidade afetiva, tratando a sexualidade como narrativa, e não como peça mecânica. Esse enquadre não substitui a psiquiatria nem a sexologia; ele amplia a conversa e ajuda a pessoa a nomear o que sente. O dado de que 63-67% da variância é interindividual encontra eco nessa abordagem: cada história afetiva modula a experiência sexual de um jeito que nenhum protocolo rígido capturaria.

Limites do estudo e o que ainda não sabemos

Nenhum estudo responde a todas as perguntas, e este tem limites que precisam ser ditos com clareza. A amostra é de pessoas recém-diagnosticadas em acompanhamento na Dinamarca, com acesso a serviços especializados, o que restringe a generalização para contextos com menos suporte. Os instrumentos de avaliação sexual dependem de autorrelato, sujeito a desejabilidade social e a dificuldades de nomear experiências íntimas. O acompanhamento de seis meses captura flutuações agudas, mas não consegue avaliar efeitos de longo prazo de medicações ou de estabilização do humor. Além disso, os autores declararam conflitos de interesse com empresas farmacêuticas como Lundbeck, Teva, Eli Lilly e outras, o que não invalida os dados, mas exige leitura crítica do financiamento e das parcerias.

Outro ponto importante: o estudo mostra associações, não relações causais. Afirmar que a depressão causa redução do desejo ou que a instabilidade do humor causa sofrimento sexual seria extrapolar os dados. O desenho longitudinal permite observar que as variáveis mudam juntas ao longo do tempo, mas não exclui a possibilidade de que fatores não medidos, como uso de medicamentos, conflitos relacionais ou comorbidades, expliquem parte dos achados. A distinção entre associação e causalidade é essencial quando se trata de orientar pacientes: os resultados sustentam a importância de perguntar e acompanhar, mas não sustentam promessas de que tratar o humor automaticamente resolverá a sexualidade.

Conclusão

O estudo de Krogh e colaboradores oferece um avanço significativo ao mostrar que, no transtorno bipolar recém-diagnosticado, desejo sexual e sofrimento sexual respondem de maneiras distintas aos sintomas afetivos e à instabilidade do humor. A depressão reduz o desejo e aumenta o sofrimento; a mania eleva o desejo; a instabilidade do humor intensifica o sofrimento. A variabilidade interindividual indica que cada pessoa atravessa essas flutuações de modo singular. Mais do que um convite a investigar mecanismos, o trabalho é um lembrete de que a sexualidade faz parte da saúde mental e merece espaço regular nas consultas.

A conversa sobre vida sexual no transtorno bipolar não precisa ser conduzida com tom de interrogatório. Ela pode começar com perguntas abertas, como “como tem sido sua relação com o desejo nas últimas semanas?” ou “a mudança de humor tem afetado sua intimidade?”. O objetivo não é enquadrar o paciente em uma categoria, mas reconhecer que o sofrimento sexual é uma dimensão legítima do cuidado. Profissionais de saúde mental e sexologia clínica podem trabalhar juntos, e a pessoa com diagnóstico deve saber que não está sozinha nessa parte da experiência.

Nota editorial: este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica, psicológica ou psiquiátrica. Em questões de sexualidade e saúde mental, procure um profissional habilitado.

FAQ

1. O estudo prova que o transtorno bipolar causa alterações no desejo sexual?

Não. O estudo mostra associações estatisticamente significativas, não relações de causa e efeito. O desenho longitudinal permite observar que, nos mesmos indivíduos, o desejo e o sofrimento sexual variam junto com os sintomas afetivos ao longo de seis meses. Essa evidência é mais forte do que a de estudos transversais, mas ainda não permite afirmar que a depressão causa redução do desejo ou que a mania causa aumento. Fatores como medicamentos, comorbidades, conflitos relacionais e história afetiva podem influenciar os resultados. A conclusão adequada é que a sexualidade está associada ao humor e merece acompanhamento, especialmente no transtorno bipolar recém-diagnosticado.

2. O que significa o achado de que a depressão reduz o desejo sexual no transtorno bipolar?

Portanto, o achado indica que a depressão no transtorno bipolar tende a reduzir o desejo sexual ao mesmo tempo em que amplifica o sofrimento relacionado à vida sexual. A magnitude do efeito sobre o sofrimento é maior, sugerindo que a autopercepção negativa da sexualidade é um alvo clínico importante. Pacientes deprimidos podem não relatar perda de interesse, mas sentem inadequação e culpa. Isso reforça a necessidade de avaliar ambas as dimensões em consultas psiquiátricas e psicoterápicas.

3. Por que a instabilidade do humor gera sofrimento sexual mesmo fora de episódios?

A instabilidade do humor capturada por autorrelato via smartphone reflete variações afetivas sutis que persistem mesmo na ausência de episódios completos de depressão ou mania. Essas flutuações diárias criam imprevisibilidade no cotidiano, afetando a intimidade, a comunicação entre parceiros e a capacidade de antecipar encontros sexuais sem ansiedade. O estudo encontrou um coeficiente de 1,87 para sofrimento associado a essa instabilidade, sugerindo que o impacto não se limita aos momentos de crise. Assim, a sexualidade se torna um marcador sensível da desregulação afetiva residual, e não apenas um sintoma dos episódios agudos.

4. Qual a diferença entre desejo sexual e sofrimento sexual no contexto do estudo?

No estudo, desejo sexual foi avaliado pelo CSFQ-14, instrumento que mede frequência e intensidade de fantasias, pensamentos e interesse sexual nas últimas semanas. Já o sofrimento sexual foi mensurado pela SDS, escala que capta incômodo, culpa, inadequação e insatisfação com a própria vida sexual. A diferença central é que uma pessoa pode ter desejo preservado e ainda assim sofrer com a sexualidade, por conflitos relacionais, vergonha ou flutuações de humor. Os achados mostram que depressão reduz modestamente o desejo, mas aumenta de forma acentuada o sofrimento, indicando que são dimensões complementares e não intercambiáveis na avaliação clínica.

5. O estudo dinamarquês pode ser aplicado a pacientes brasileiros?

O estudo foi conduzido na Dinamarca com 236 pacientes recém-diagnosticados, atendidos em um contexto de saúde universal e com forte monitoramento digital. Isso limita a aplicação direta ao Brasil, onde há diferenças culturais na expressão da sexualidade, no acesso a tratamento e no estigma associado ao transtorno bipolar. Embora os mecanismos neurobiológicos e psicológicos provavelmente operem de forma semelhante, a manifestação do sofrimento sexual pode variar conforme normas sociais e suporte familiar. Portanto, os resultados devem inspirar pesquisas locais com instrumentos adaptados e amostras brasileiras antes de generalizações clínicas.

6. Quais são os principais instrumentos usados para avaliar sexualidade no transtorno bipolar?

O estudo combinou escalas validadas e monitoramento ecológico. O CSFQ-14, com 14 itens, avalia desejo, excitação e orgasmo, enquanto a SDS mede sofrimento sexual específico. Para os sintomas afetivos, foram usados a HDRS-17 para depressão e a YMRS para mania, ambas aplicadas por avaliadores treinados. O diferencial metodológico foi o uso de smartphone para registrar humor diariamente, captando instabilidade que escalas pontuais não detectam. Essa combinação permite separar efeitos de sintomas agudos de flutuações subclínicas na sexualidade.

7. O que um psicoterapeuta ou psiquiatra deve perguntar sobre sexualidade no transtorno bipolar?

O profissional deve perguntar de forma direta e não julgadora sobre desejo, sofrimento e como o humor oscilante afeta a vida sexual. Não basta investigar presença de disfunção; é preciso explorar culpa, vergonha, insatisfação e impacto na relação. Uma pergunta útil seria: “Nos últimos meses, como suas mudanças de humor influenciaram seu interesse e seu bem-estar sexual?” O estudo sugere que o sofrimento sexual pode indicar instabilidade residual mesmo quando os sintomas clínicos estão controlados. Portanto, essa investigação pode orientar ajustes terapêuticos e abrir espaço para intervenções psicoterapêuticas focadas na sexualidade.

Referências bibliográficas

Meus Livros…

Livraria Álvaro Biano

Conheça os livros de Álvaro Biano sobre saúde emocional, trauma e transformação pessoal:

Descubra mais sobre Álvaro Biano

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo